Viva. As Cidades

Curitiba doce!

O que, na nossa opinião, a capital paranaense oferece de melhor em termos de glicose

Adocica meu amor, adocica!

Este post, em tempos de pandemia, é menos sobre viajar e mais sobre adoçar a vida de quem está em confinamento – como nós, que estamos chegando nos 150 dias em que as saídas de casa se resumem basicamente a ir ao mercado. O ócio da quarentena nos fez recordar das melhores furadas açucaradas de regime que Curitiba pode oferecer, e elas são tantas, que resolvemos fazer um post em sua homenagem!

O melhor: na impossibilidade de ir até elas, a maioria pode ir até você!

Este post também não é sobre esgotar a lista dos mais famosos doces da cidade. É mais sobre listar aqueles que, entre clássicos e desconhecidos, sempre nos acompanharam nos bons momentos vividos aqui, por nós e por nossas famílias. É sobre aquela torta que sempre esteve presente nos aniversários, sobre a confeitaria que acompanhou gerações, sobre memória afetiva (expressão da moda). É sobre memória gustativa, que espero que lá pra frente, quando a vacina pro coronavírus chegar (há de chegar!), também marque positivamente estes dias de isolamento social.

Vamos então pra nossa lista que é pura dopamina. Apreciem com moderação!

(Fotos: Luiza Nascimento Mendonça)

TORTA MARTHA ROCHA

A torta Martha Rocha tinha que encabeçar a lista porque, dizem os boatos, é a sobremesa típica de Curitiba. Os boatos no caso são a enquete que o meu pai, o jornalista Dante Mendonça, se habituou a fazer no Facebook depois das divagações que, embaladas por uns bons vinhos, fazemos depois de algumas refeições. Qual seria o almoço típico do curitibano num domingo? Qual seria a cerveja típica? Na “Enquete Leite Quente” de 11 de junho, feita no dia do aniversário do Rafa depois do bolo da sobremesa, perguntado qual o bolo ou torta típicas de Curitiba, a Martha Rocha reinou nas 98 respostas dadas.

A enquete renderia alguns bons posts nesse blog, e rendeu um post que ele fez no Facebook no dia seguinte, com a história dessa sobremesa que homenageia a Miss Brasil de 1954, que colo aqui pra vocês:

A cada doce garfada, a torta (ou seria bolo?) Martha Rocha tem uma história. A principal delas até já entrou para o folclore brasileiro por questão de polegadas: eleita Miss Brasil em 1954, aos 21 anos, a baiana Maria Martha Hacker Rocha ostentava 1,70 metro, 58 quilos, 92 centímetros de busto, 59 centímetros de cintura e 97 centímetros de quadril. Dizem que por duas polegadas, ou cerca de 5 cm, a brasileira perdeu o Miss Universo para uma americana chamada Miriam Stevenson, sem bunda e sem graça.
Apesar de ficar em segundo lugar, Martha foi escolhida pelo público como Miss Universo pela sua beleza e simpatia. A baiana era bem branquinha, com olhos azuis e cabelos cacheados. Então a Dona Dair, da Confeitaria das Famílias, teria se inspirado nessa imagem para fazer um dos maiores sucessos gastronômicos das festas de 15 anos e aniversários do Brasil. Um sucesso tão grande que até os gaúchos reivindicam a paternidade.
Uma outra versão da história foi contada no livro Histórias, Lendas e Curiosidades da Confeitaria e suas Receitas”, da jornalista gastronômica Roberta Malta Saldanha, ganhadora do Prêmio Jabuti em 2012. Segundo a autora, inconformado com aquelas duas polegadas, o espanhol Jesus Alvarez Terzado, fundador da Confeitaria das Famílias, de Curitiba, resolveu homenagear a musa com sua maior criação: uma torta com creme de ovos, coco, ameixa preta e doce de leite e coberta de “fondant”. Ao oferecer pessoalmente sua doce homenagem, para surpresa de Terzado a miss não gostou, nem sequer provou a torta. “Acho que tem muita gente ganhando dinheiro à minha custa”, Martha Rocha teria afirmado na época.
Para passar essas histórias em “pratos limpos”, seria preciso consultar a socióloga e doutora em história da alimentação Solange Menezes da Silva Demeterco, autora do livro “Doces Lembranças: Caderno de Receitas e Comensalidade”, a história da alimentação da Curitiba de 1900 a 1950.

(Foto retirada do site: https://tribunadaimprensalivre.com/)

Vocês devem ter concluído que a Confeitaria das Famílias é o melhor lugar pra comer Martha Rocha em Curitiba. Bom, é e não é. Além dessa confeitaria clássica da cidade, grande parte dos entrevistados, que são de peso (pelos conhecimentos culinários, mas alguns literalmente heheh) respondeu que a Confeitaria Holandesa, outra típica da capital, sai na frente. E eu ainda vou acrescentar aqui minha modesta sugestão: a Casa de Tortas Zeni Barbosa Manne, uma casa sem placa e sem identificação (dá um Google que acha) que fica no Bairro Rebouças, que é onde, desde que me conheço por gente, encomendamos as Marthas Rochas dos aniversários de família. Tudo bem que durante muito tempo isso significou o meu desgosto infantil, que preferia chocolates a nozes, mas hoje em dia eu reconheço que a torta da Zeni é imbatível e, como redenção por tantos anos de desdém por essa maravilha, deixo a dica pra vocês em forma de foto!

“Martha Rocha desconstruída”: mesmo a torta tamanho P – da foto – é gigantesca! Como vocês podem ver, fica difícil até transportar no carro (Fotos: Luiza Nascimento Mendonça)

BANOFFI

Minhas pesquisas me revelam que esta torta, que muitos acreditam ser curitibana de tanto que se expandiu pela cidade, tem origem inglesa, de uma adaptação de uma receita estadounidense. O nome se deve à junção de banana + toffe, que de toffee não tem nada: o toffee é feito de açúcar caramelizado ou melaço + manteiga e, ocasionalmente, leva farinha, mas, no caso da banoffi como hoje conhecemos, ele foi substituído pelo doce de leite (daí a adaptação da receita original). Só sei que essa combinação que leva essencialmente, além da banana e do doce de leite, bolacha, nata, manteiga e açúcar, é irresistível!

Em Curitiba a sobremesa ficou conhecida pelas mãos de Renata Ferian Canabrava, que trouxe a receita dos tempos que viveu em Londres. É por isso que não tem lugar melhor pra indicar onde encontrar: na Banoffi mesmo (sim, a confeitaria leva o mesmo nome, o que confirma que estou indicando pra vocês a direção certa!)

Foto aleatória de um dia frio de chá + banoffi (Fotos: Luiza Nascimento Mendonça)

MADRILEÑO

Este pra mim devia ficar no topo da lista. Massa folhada + doce de leite + suspiros por cima, é de suspirar mesmo! Esta iguaria vocês encontram na clássica das clássicas Confeitaria das Famílias – aquela que citei acima, fundada pelo espanhol Jesus Alvarez Terzado, e que já tem 75 anos ininterruptos de funcionamento e de receitas guardadas em segredo pelos confeiteiros que têm anos de casa. Pelo madrileño, pela bomba de chocolate, pelo quindim ou só pavê mesmo (bem tiozão kkk), essa confeitaria é de visita obrigatória pra quem não conhece. Vale entrar pra espiar no pós-pandemia.

Nota: pesquisei e realmente não encontrei o porquê da origem do doce, a não ser a do próprio criador. Em Madrid, até onde eu tenha visto – por pesquisas e pelos próprios olhos -, ele não é nada comum. No mais, por madrileño pode-se encontrar várias outras sobremesas, como um pãozinho com creme e goiaba que é vendido na (outra bem tradicional) Confeitaria Manon, do Rio de Janeiro… De qualquer modo, isso mostra que a receita é mesmo bem curitibana, tanto que também já se disseminou pela cidade, onde o madrileño do Terzado pode ser encontrado e várias outras confeitarias.

(Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

MIL-FOLHAS

Quem acessa o site da Confeitaria Gênova já dá de cara com o aviso: a melhor torta mil folhas de Curitiba. Eu não ouso duvidar, até porque é deste lugar que minha avó, doceira de primeira, encomendava esta torta, que em algumas celebrações familiares dividia a criteriosa mesa com outros ilustres doces!

A Gênova, que fica no Bairro Rebouças, está também entre as confeitarias mais antigas da cidade – foi fundada em 1967 – e serve doces e salgados pra consumir na hora ou pra levar. A mil-folhas deles é mesmo hors concurs; não sei se é por causa da massa folhada, que é fresquinha, se é por causa do creme, do açúcar!… mas há mesmo quem diga que a receita deles não ganha só em Curitiba não, que ganha no sul do mundo!

Exageros à parte, ou não, provem!

TORTA ALEMÃ

Seguindo a onda dos clássicos, preciso citar a Padaria América, que deve ser a padaria/confeitaria (e meio mercearia também) mais antiga de Curitiba. Foi fundada em 1913. A torta alemã, que, pelo que me informei, de alemã só tem o nome – dizem os boatos que foi inventada no Brasil! -, acredito que todo mundo saiba de que é feita: biscoito, creme e chocolate (e se diferencia da torta holandesa porque leva biscoito também na massa, fazendo camadas). Se ela, assim como a padaria, é uma tradição de Curitiba, eu não sei dizer; mas cito ela aqui porque é neste lugar onde sempre compramos a nossa, que sempre esteve deliciosa! Simples assim.

Mas, verdade seja dita, como a enquete do Facebook do meu pai rendeu vários pontos pra Padaria América e, pasmei, nenhum mencionando a torta alemã, vou citar aqui outros dois doces que disseram serem típicos do lugar: cuque de uva – ou seria cuca? –  (esse é realmente uma sobremesa clássica do sul do Brasil) e torta Aida (pão de ló, creme amanteigado, nozes e chocolate ao leite – sob encomenda).

A ida à Padaria América, que fica no Centro, já vale nem que seja pra comprar um pãozinho e se sentir nos tempos antigos!

BOMBOM DE MORANGO ESPELHADO

Aqui é experiência pessoal mesmo. Não sei o quanto o bombom e morango espelhado/caramelizado é famoso pelo Brasil, mas em Curitiba ele tem sua fama, que em muito se deve à Confeitaria Edelweiss (Al. Augusto Stellfeld, 1631, Bigorrilho). Também responsável por: ficar com metade da minha mesada nos anos 2000 (era lá o meu paradeiro depois das aulas nos dois anos de ensino médio).

A Edelweiss é pequenininha; fica numa esquina e tem só um balcão e um banco comprido pra sentar, e uma mureta do lado de fora. Além do generosíssimo bombom de morangoS, frescos, espelhado, também é conhecida pelas coxinhas.

Outro lugar onde o bombom de morango espelhado não tem erro: Confeitaria Lancaster (Praça Zacarias, 68, Centro – doces, salgados, almoço… Tudo deles é de qualidade).

(Fotos: Luiza Nascimetno Mendonça)

MINEIRO DE BOTAS

Há quem diga que a sobremesa tem origem carioca, há quem diga (por que será?) que é mineira há quem diga que é paranaense mesmo; e se é daqui, é por causa da fama que conquistou no Bar Palácio (Rua André de Barros, 500, Centro). Sobre o Bar Palácio eu não vou me prolongar nos comentários, porque se até tese de mestrado ele já rendeu, quem sou eu!… O restaurante/bar, aberto inicialmente em 1930 em outro endereço também no centro de Curitiba, é um ícone da cidade: lugar simples, de ambiente boêmio (costumava funcionar pela madrugada afora, até de manhã), ficou famoso por receber intelectuais, políticos e amantes da noite, ao ponto inclusive de ter sido objeto de reivindicações femininas, cuja entrada em 1984 não era permitida sem acompanhantes homens. Ops, já me prolonguei! Vamos ao Mineiro de Botas: esta sobremesa, feita de banana, queijo, goiabada, açúcar e canela e servida flambada, é a  tradicional do local. Vá para jantar e peça uma que não vai ter quilo extra nesse mudo que te faça se arrepender!

E, PRAS COMEMORAÇÕES…

Depois te ter apresentado a vocês alguns dos doces que consideramos mais icônicos de Curitiba, vou citar três lugares onde vocês vão encontrar bolos de aniversário deliciosos e instagramáticos!

O primeiro se chama Confeitaria Moranguel, que é tocada pela Márcia, responsável por fazer os bolos do aniversários da família do Rafa desde que eles se mudaram pra cidade nos anos 90. Desde que estamos juntos, todo dia 11/6 tem bolo de sonho de valsa.  Quem vive no Bairro Bom Retiro e adjacências não abre mão, e muita gente que vive longe também não – depois descobri que a confeitaria é mesmo bem famosa! Fica numa casa na Rua Carlos Augusto Cornelsen, 320, e faz pedidos sob encomenda.

O segundo é de uma amiga nossa, mas não estou recomendando porque é amiga, não: vão pro site ou pro instagram da The Cakery que vocês vão entender o que eu tô falando. Pena que ainda não tem tecnologia pra degustar foto, mas visualmente já dá pra ter uma ideia, né? Não é à toa que a Cassi saiu do emprego que tinha no O Boticário pra se dedicar só a isso, porque a demanda é grande, faz jus ao talento. Doces e tortas a pronta entrega e (principalmente) sob encomenda, de acordo com o que a imaginação mandar. E haja imaginação!

E por último eu deixo o nome de um café aberto há não muito tempo na cidade, o Hanuman Café, que ficava atrás da nossa escola de yoga, a Buddhi Yoga, na Rua Princeza Izabel, 988 – ficava porque o café continua, mas a escola infelizmente parou de funcionar no espaço físico por causa da pandemia. O Hanuman tem opções bem interessantes de doces, veganas inclusive, e este ano encomendei o meu bolo de aniversário deles: escolhi o de crème brûlée, que estava na medida perfeita de doçura sem ficar enjoativo, com a massa fofinha. Não é surpresa que que eles têm feito sucesso.

Foto 1: Bolo da Confeitaria Moranguel; Foto 2: Bolo da The Cakery; Foto 3: Bolo da Hanuman Café.

Bom, como eu disse, a lista podia ir longe, mas acho que essa já basta pra ganhar uns bons quilinhos nos próximos… anos! Quem visitar Curitiba agora também já tem ideia de onde encontrar bons doces, e quem mora na cidade e tem alguma outra sugestão pra dar, por favor! Quem sabe não sai ainda uma parte II?

Pra encerrar eu deixo um clipe que não podia ser mais adequado. E bem saudosista de uma lambada e de uma aglomeração!

Três dias de frio e chuva em Edimburgo – sem tempo ruim! (parte III)

Walking tour pela cidade e visitas a lugares cobertos

Walking Tour e curiocidades

No nosso terceiro dia na capital da Escócia comemos de café da manhã uns oatcakes e umas frutas que tínhamos comprado num mercadinho e, guarda-chuvas na mão, embarcamos num desses Free Walking Tour. Os Free Walking Tour são sempre uma boa opção pra quem quer aprender melhor sobre um lugar desconhecido sem gastar muito (paga o quanto acha justo) e sem ficar muito tempo na cola de excursão (costuma durar umas 3 horas). Ensina o feijão-com-arroz da cidade temperado com algumas curiosidades, o que era bem o que queríamos, depois de uma visão geral de Edimburgo dos dias anteriores.

A empresa que escolhemos, por indicação do hostel, foi a Sandemans, e o tour que pegamos foi o basicão, que abrange a Cidade Velha e a Cidade Nova. Mas eles tem vários outros tours pra oferecer, inclusive pras Highlands. Fizemos com o grupo em espanhol e o nosso guia, o Rolo, tinha muy buen rollo!

Começamos pela High Street, na Royal Mile, pela “prefeitura” de Edimburgo (Edinburgh City Chambers). O edifício, onde antes funcionava o Royal Exchange, é de 1753, e foi construído acima de vários níveis de closes, (expliquei no post I o que são) de forma a bloquear o seu acesso – que depois foi desbloqueado, pra dar lugar às visitações ao Mary King´s Close.

Curiosidade: quem olhar com atenção pra estátua de bronze que fica no pátio, de Alexandre, o Grande, no seu cavalo Bucéfalo, vai perceber que o cavalo tem orelhas de porco! Dizem os rumores que isso foi uma pequena vingança do artista criador, John Steel, que ficou anos trabalhando na obra e, quando ela estava quase finalizada, recebeu a notícia de que não tinham verba para pagá-lo integralmente!

Cavalo com orelhas de porco?! (Foto esquerda: Luiza Nascimento Mendonça; foto direita: Rafael Belli Soares)

Atravessando a rua, logo em frente, atrás da Catedral de St. Giles´, nos deparamos com um monumento chamado Mercat (Market) Cross, a “Cruz do Mercado”. Nesta demarcação é que os comerciantes se encontravam para realizar negócios na cidade, e nela também se realizavam anúncios reais oficiais e até Continue lendo

Três dias de frio e chuva em Edimburgo – sem tempo ruim! (parte II)

A pé por Edimburgo

Continuando, faça chuva ou faça so… Só chuva em Edimburgo, a capital da Escócia, sempre vai ter o que fazer – e a cidade vai continuar tão ou mais charmosa, como se fosse um cenário do filme do Harry Potter!

Dean Village (Foto: Rafael Belli Soares)

Scottish Breakfast

O nosso segundo dia em Edimburgo começou com um café da manhã clássico escocês num café que fica na frente do flat onde nos hospedamos no Continue lendo


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