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As confusões de uma Sagrada Família

Bastidores da obra ainda inacabada de Gaudí

Um dos mais importantes cenários de Barcelona – se não o principal – é a Basílica da Sagrada Família. Particularmente é nossa queridinha: foi nossa vizinha durante dois anos e criamos um laço de amizade intenso! E por isso resolvemos escrever aqui o que talvez muita gente não saiba. Ela e um filho adolescente têm uma coisa em comum: trazem muita dor de cabeça para os responsáveis!

Fachada do Nascimento – 2016 (Foto: Rafael Belli Soares)

Ela começou a ser construída em 1882; em 1883, o tão famoso arquiteto Antoni Gaudí tomou conta do projeto, mudou tudo e projetou como bem entendia. Ok, isso não é tanta novidade.

Sagrada Família no ano de 1925 (Foto: www.archdaily.com.br)

A basílica continua em construção até hoje, com previsão de término para 2026 – em homenagem aos 100 anos da morte do arquiteto. Mas muita gente só acredita nesta informação, vendo!

Vocês sabiam que ainda nem começaram a construir a fachada frontal da igreja? Pois é! As duas fachadas que já conhecemos, com as 4 torres cada, são as laterais do monumento; a outra, onde mais uma baita torre está sendo erguida (Torre de Maria), é a parte posterior!

Fachada da Paixão (Foto: Rafael Belli Soares)

Fachada da Glória (Foto: Inma Sainz de Baranda)

O que acontece é que, pelo o projeto idealizado por Gaudí, a fachada frontal (Fachada da Glória) avança pela calçada da Rua Mallorca e seu acesso é feito por meio de uma escadaria enorme, ligando a igreja a uma linda praça frontal, até chegar na Avenida Diagonal – possibilitando assim, uma vista panorâmica da igreja. Top né? O probleminha é que no lugar disso tudo hoje, nessas quadras, tem edifícios residenciais e comércios! Por essa Gaudí não esperava!

Foto: https://ovacen.com/sagrada-familia/

Foto: https://www.lavanguardia.com

Foto: https://www.lavanguardia.com

Hoje é uma tremenda confusão com todos os órgãos envolvidos, com a construtora, com as famílias que podem sofrer diretamente, com os cidadãos defensores da ideia “não toquem nessas quadras!” e com os cidadãos defensores da ideia “vamos manter o projeto inicial!”. Já houve várias tentativas de acordo, mas até hoje não está 100% certo o que irá acontecer.

Outro detalhe é que a obra não tem uma licença municipal para sua construção. Em 1882, a prefeitura de Sant Martí de Provençals , que era a proprietária do terreno onde hoje é a Sagrada Família, providenciou um documento permitindo a obra; o Antoni Gaudí deveria ter feito o trâmite desse documento perante a prefeitura de Barcelona, mas ele não fez!

Mais uma informação curiosa é que o arquiteto escreveu que a Fachada da Glória deveria representar o inferno, o céu, o limbo e o purgatório, porém não deixou nenhum projeto, nenhum desenho de como representar isso. Na mesma fachada, as sete grandes colunas também deveriam representar os 7 dons do espírito santo, os 7 pecados capitais e as 7 virtudes. E adivinhem! … Pois é! Para isso foi criada uma comissão com teólogos e críticos de arte, para acharem uma solução à altura do monumento!

Enquanto tudo isso não se resolve, a gente pode imaginar como ficará (se ficar) pronta a obra, clicando nos vídeos abaixo.

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