Viva. As Cidades

Barcelona de janeiro a janeiro

Programas mês a mês para se sentir um local na capital da Catalunha

Este é um post que publicamos em setembro de 2017, quando ainda morávamos em Barcelona, para o blog On the List. Ficou um apanhado de informações super útil para quem visita a cidade em qualquer época do ano e quer se aprofundar na cultura local.

Segue então a reprodução (adaptada) do texto – que apesar do ano que passou, segue atualizadíssimo!:

Existem várias maneiras – e diferentes pontos de vista – de se conhecer bem uma cidade. Nossa visão da capital da Catalunha abrangeu quatro estações e mais alguns meses (os quase dois anos em que moramos lá), o que foi o bastante para perceber que ela vai além do modernismo de Gaudí, das lojas do Passeig de Gracia e da praia de Barceloneta.

A chegada do outono nos inspirou a fazer esse post com dicas do que fazer de melhor pela região em cada época do ano; sempre de modo a se sentir um pouco mais local e menos turista nesse pedaço de terra tão visitado pelo mundo todo (houve um cálculo que apontou para 80 milhões de visitantes em 2017!!!).

Então vamos ao que interessa: o que fazer em Barna para além do feijão-com-arroz dos guias turísticos.
JANEIRO: friaca! Mas é quando a cidade tem poucos turistas. Uma boa oportunidade pra encarar o mercado de Sant Josep (“La Boquería”) sem muita muvuca – em vez de se sentir uma sardinha enlatada, deguste uma porção de sardinhas em escabeche no balcão do concorridíssimo El Quim. No dia 6 tem o feriado do Día de Reyes; a criançada fica louca pra ver a cavalgada que os reis magos fazem pela cidade (eles passam atirando guloseimas) e os adultos fazem filas nas padarias (forns de pa) pra comprar o roscón de reyes. Quem acha a fava dentro do bolo, paga a conta (o bolo).

Festa de Santa Eulälia – noite de encerramento, janeiro de 2016 (Foto: Rafael Belli Soares)

FEVEREIRO: festas de Santa Eulália, a padroeira de Barcelona. Tem apresentações culturais pela cidade toda e espetáculos de luzes, bem bonito de ver. Além disso, muitos museus e lugares turísticos operam de portas abertas.
MARÇO: temporada de calçots! É tipo uma cebola que tem gosto de aspargo (nossa humilde impressão) e tem todo um ritual para comer. Vale a pena provar, em Barcelona (no El Disbarat, por exemplo) ou mesmo ou em alguma chácara nos arredores, as chamadas masías. Pra acompanhar: pão com tomate (em catalão: pa amb tomàquet, que se fala “pántumaca”), que, aliás, é guarnição de 10 entre 10 pratos locais.
ABRIL: se for páscoa, não espere ver muitos ovos, mas, isso sim, esculturas belíssimas de chocolates nas patisserias. As da Patisseria Escribá são um clássico. Outro dia celebradíssimo é o 23, dia de Sant Jordí (São Jorge), o padroeiro da Catalunha. Barracas de livros e rosas, muitas rosas, espalhadas por toda a cidade, já que a tradição manda casais e amigos trocarem estes objetos entre si.

Casa Battlló enfeitada para o Dia de Sant Jordí, 2017 (Foto: Rafael Belli Soares)

MAIO: os dias começam a ficar visivelmente mais longos – o sol se põe por volta de 21:30h – e o clima, mais agradável. Bom pra começar a desfrutar das terrazas dos hotéis no fim de tarde (sugestão: Barceló Raval). Também em maio acontece o festival preferido dos barceloneses, o Primavera Sound: são vários dias de muita música cantada por artistas conhecidos e emergentes, diversos estilos. Há shows abertos e gratuitos pela cidade, mas quem quer ir aos principais (pagos) tem que correr, porque os ingressos esgotam super rápido!
JUNHO: os mais animados podem curtir o Sónar, um dos maiores festivais de música eletrônica da Europa. E na virada do dia 23 tem a festa de San Juan, quando se comemora a noite mais curta do ano (a chegada do verão!) com fogos de artifício e fogueiras. O costume é jantar em família/amigos e por volta da meia-noite ir pra praia, que fica cheia até o amanhecer – alguma semelhança com o nosso ano novo?!

Amanhecer na praia de Barceloneta – Festa de Sant Joan/San Juan, junho de 2017 (Foto: Rafael Belli Soares)

JULHO: praia e mais praia! Fuja de Barceloneta e experimente ir pra San Pol de Mar, Casteldefells, Sitges, Tossa de Mar… Todas facilmente acessíveis de trem. Para os que têm mais pudor, verifique antes se a praia é nudista – tem várias, cada vez mais. Já o topless rola solto onde quer que seja; é mulher de peito de fora do lado de mulher de burca e tá tudo certo!

Sant Pol de Mar, agosto de 2017 (Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

Tossa de Mar (Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

AGOSTO: caloooor! Os moradores saem de férias e deixam lugar pros turistas.  Muitos comércios de bairro fecham nessa época, mas há quem espere a Festa Major de Gracia pra sair de viagem. Durante uma semana as ruas desse bairro (que adoramos!) ficam enfeitadas e são tomadas de atividades culturais e música – fim de semana vai madrugada afora. Vale muito a pena conferir; só não confunda Gracia com Paseo de Gracia: é no final deste que começa a Vila de Gracia, de que estamos falando.
SETEMBRO: La Mercè! A outra padroeira da cidade. Mais festas, mais música, mais apresentações típicas… Aquela coisa de sempre! Quem já foi aos eventos comentados a essa altura já está careca de saber o que são os Correfocs, os Giganters, os Castellers… São todas manifestações culturais da catalunha. Destaque pros Castellers, que são as pirâmides humanas : é um barato ver a montagem, ainda mais no final, quando é uma criança quem sobe lá no alto. Em todas as festas da cidade vocês irão encontrá-los!

Castellers (Foto: Rafael Belli Soares)

OUTUBRO: o friozinho chega, os dias ficam mais curtos, acaba o horário de verão. A cidade por fim respira; é gostoso ver as ruas mais tranquilas e com menos gente. Tempo bom pra entrar em museus e lugares turísticos, pra ver um concerto no Palau de la Música (deslumbrante!), uma peça no Liceu, um espetáculo na Sala Barts. Aproveite o clima pra comprar aquelas castanhas que são feitas na hora e vendidas quentinhas ao lado do metrô, umas delícia!

Palau de La Musica – interior (Foto: Rafael Belli Soares)

NOVEMBRO: o frio estaciona. Já que não nos veio nada à cabeça, vamos falar de comida: muito jamón com cava na Can Paixano – La Xampanyeria (melhor lugar!); pinchos em qualquer bar na Carrer de Blai, no Poble Sec (La Esquinita de Blai é excelente); turrones (os Vicens tem por toda parte e são deliciosos); crema catalana ; arroces. *Na Catalunha, um bom começo pra não cair em lugares pega-turista é procurar por arroces em vez de paella. De qualquer modo, o Envalira e o 7 Portes nunca decepcionam.
Compras pro natal? Espere dezembro, quando tudo entra nas rebajas (liquidações!).
Adendo número dois: as rebajas de inverno são em janeiro e fevereiro e as de verão em julho e agosto; os preços de tudo despencam, então venha de mala vazia porque você vai querer comprar loucamente!!!
DEZEMBRO: deixe-se tomar pelo clima de natal e aprecie a decoração e as feiras da cidade, principalmente a da Sagrada Família e a de Santa Lucía (na frente da catedral). As duas têm enfeites lindíssimos pra vender. Só não se assuste se você vir miniaturas de personagens famosos fazendo cocô (!!); são os chamados caganers, eles estão por tudo e sinceramente ainda não entendemos o porquê disso – talvez daqui a algumas estações…!
Barcelona é bem esse ciclo que descrevemos, com cada estação bem demarcada, com um horário de verão que dura 8 meses (!) e com sol pra nunca faltar vitamina D. Barna é a exploração do espaço público e por isso te chama pra rua; é a festa maior de cada bairro; é o mercado público de cada região; é a feira. É o jovem (como tem jovem!), mas é também o casal de velhinhos que senta no banco da rambla só pra ver a vida que acontece lá fora. É a obra que começa quando a outra ainda nem terminou; é o jogo de petanca na praça; é o gay e o hetero e o bi; é o cachorro que entra junto com o dono nas lojas. É o multiculturalismo; uma torre de babel construída de tolerância.

Você pode também gostar

Deixe seu comentário

© 2019 VivacidadesDesenvolvido com por