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Casarões de Curitiba – Parte III

O final da caminhada

Chegamos na Parte 3 – modéstia à parte, é tão boa quanto a parte 1 e a parte 2 (quase igual à trilogia do Poderoso Chefão!). Essa rota é fácil de lembrar; pega a Batel e, como diriam os nossos vizinhos catarinas, “vai reto toda vida!”.

A Avenida do Batel é muito conhecida por sua vida noturna (já foi mais forte ou apenas envelhecemos), mas também é nela que encontramos todas estas belíssimas construções!

CASARÃO BITTAR

Justiça seja feita, esta casa se encontra na Rua Benjamin Lins, 935; um pouquinho antes da rua mudar de nome e, num passe de mágica, se tornar a Avenida do Batel. Hoje esta construção serve para quê? Paraguai! Hoje nela funciona o Consulado Geral do Paraguai. Foi construída no final dos anos 20 para a família Virmond e, em 1935, o senhor Elias Abdo Bittar, cônsul da Síria para o Paraná e Santa Catarina, adquiriu o casarão.

(Foto: Rafael Belli Soares)

CASA ZATTAR

Vizinha do casarão Bittar, ainda na Benjamin Lins, para mim, a casa mais bonita da cidade! Com aproximadamente 900m² construídos em um terreno de 3 mil m², este casarão foi solicitado pelo casal João José Zattar e Angelina Bittar Zattar – reparou no sobrenome do meio da moça? Pois é, a família Bittar não era fraca! Foi um dos poucos casarões em Curitiba que foi utilizado como residência até pouco tempo atrás – em 2014 passou a ser uma das sedes do Centro Europeu. Apreciar seu belo jardim e sua bela arquitetura é um ótimo passatempo também na hora do rush!

(Foto: Rafael Belli Soares)

(Foto: Rafael Belli Soares)

CASTELO DO BATEL

Finalmente o mais famoso castelo de Curitiba – já falei de um que talvez não tenha convencido muito vocês na parte 2, mas esse vai dar certo!
Projetada pelo arquiteto Eduardo Fernandes Chaves a pedido do cafeicultor Luiz Guimarães, a obra do “Castelinho” foi iniciada em 1924 e concluída em 1928. Tem inspiração “nos castelos franceses da região do vale do Loire, na França” (segundo o próprio site do Castelo do Batel). Já foi residência do ex-governador do estado Moysés Lupion (1947), sede da TV Paranaense/Canal 12 (1973) e atualmente, depois de ser restaurado e ampliado (2003, projeto de Humberto Fogassa) funciona como espaço de eventos. O lugar é chique, luxuoso, com um jardim impecável, com uma arquitetura lindíssima, com obras valiosas e renomadas… Tudo isso ambientando festas de arromba da alta burguesia curitibana!! Esse podemos chamar de castelo, não é verdade?

(Foto: Rafael Belli Soares)

(Foto: Rafael Belli Soares)

PALACETE DO BATEL

Vizinho do Castelo do Batel, este palacete, além de belíssimo, imponente, com detalhes interessantíssimos – como por exemplo a torre romântica no canto esquerdo -, tem uma história que se torna mais interessante do que é, devido a semelhança dos belos nomes de dois personagens. ILDEfonso Rocha contratou a construtora de Mauricio Thá, em 1912, e em 1914 se mudou para o casarão (projeto do arquiteto René Sandrensky). Em 1922 teve que passar a casa, devido a dívidas, para o banco Francês e Italiano. No mesmo ano, Benedito Bandeira Ribas comprou a casa e, em 1926, HILDEbrando de Araujo adquiriu a casa!
Hoje a casa é gestionada pela mesma empresa do Castelo do Batel e nela também são realizados eventos.

(Foto: Rafael Belli Soares)

(Foto: Rafael Belli Soares)

CASARÃO DA FAMÍLIA HAUER

Este é o último casarão que citarei da Avenida do Batel. A casa tem uma história parecida com as demais. Também foi construída por volta de 1930, também passou pelas mãos de família tradicional (Hauer), também é deslumbrante e também vale parar para admirar nem que seja de longe, já que o jardim da frente é bem comprido!

(Foto: Rafael Belli Soares)

CASA GOMM

Ela não fica mais na Avenida do Batel, mas fica pertinho, atrás do Shopping Pátio Batel. Seu estilo arquitetônico foge “um pouco” do estilo das outras já mencionadas, isso porque pertenceu a uma família inglesa, que a construiu em 1913. A mansão é de madeira e por muito pouco não teve o fim igual ao de muitas outras – virar pó. É que, devido à construção do shopping – com suas lojas de marcas chiquérrimas -, a casa teve que ser realocada de lugar; embora tenha ficando ainda dentro do terreno a que pertencia, grande parte do bosque foi perdida para o aglomerado de lojas caras (isso deu tanto pano pra manga que renderia assunto pra um post inteiro!). É claro que os proprietários do shopping pagaram todo o custo da realocação, do restauro… Até porque esse dinheiro não deve fazer a mínima diferença no bolso deles. E hoje a parte que sobrou de lá, não vou mentir, está bem conservada. Mas, novamente, a história mostra que o mercado imobiliário às vezes fala mais alto que a preservação.

(Foto: Rafael Belli Soares)

(Foto: Rafael Belli Soares)

Depois dessa overdose de casarões e mesmo sabendo que vários não foram mencionados – deixando em aberto, quem sabe, a parte 4 (aceito sugestões!) -, chego à conclusão de que é necessário olharmos com mais carinho para nossas cidades, porque por trás de cada construção existe uma história. E, independente de qual seja essa, é necessário mantê-la viva, afinal, nós somos frutos do passado!

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12 Comentários

  • Rosana Takebayashi
    06 setembro, 2019

    Parabéns Luiza e Rafael. Amei o levantamento que fizeram sobre os casarões. Ao passear por Curitiba tive uma atração por eles. Fotografei alguns e fui pesquisar na internet. MARAVILHA, encontrei vocês. Posso postar minhas fotos e o link do blog. Perfeito. Gratidão.

  • Silvana
    30 janeiro, 2019

    Olá, parabens pelo carinho pelas edificações icônicas da nossa cidade!
    Incluiria o antigo Clube Concórdia, hoje incorporado pelo Clube Curitibano e em fase de restauro. Caso precisem de informações, estou à disposição. Preservar a memória da cidade é mantêm-la viva para as futuras gerações!

  • Giovanni
    22 janeiro, 2019

    Olá Rafael, parabéns pela matéria sobre os casarões (parte 1,2 e 3), achei excelente.

    Caso vc faça a parte 4 eu indico falar sobre o Hospital Santa Casa que fica em frente a praça Rui Barbosa. Ele é o primeiro Hospital de Curitiba e foi inalgurado por Dom Pedro II.

    Desejo sucesso na sua jornada.
    Abraço!

    • Rafael
      Rafael
      23 janeiro, 2019

      Muito obrigado! Obrigado pela sugestão tbm! Estou anotando todas elas para um futuro post! =)

  • Marcos Albuquerque
    18 janeiro, 2019

    Simplesmente Espetacular…

  • Adriana Ribeiro
    17 janeiro, 2019

    Sugiro um post sobre o casarão de Julio Garmatter, no São Francisco, que tem uma história bem legal.

  • Glaucia Chagas Fujimoto
    08 novembro, 2018

    Tem algumas construções antigas tb na Av. República Argentina e Sete de Setembro. Talvez não tão grandes pra considerar casarões mas antigos e de bela arquitetura.

    • Rafael
      Rafael
      08 novembro, 2018

      Obrigado Glaucia! Estou juntando as sugestões para fazer mais um post sobre esses casarões! =)

  • André
    07 novembro, 2018

    Senti falta do Chalé Rosa (atual SESI Casa Heitor, na Mal Floriano)! Possivelmente a mansão mais excêntrica e adorável de Curitiba…

    • Rafael
      Rafael
      08 novembro, 2018

      Boa André! Vou juntar as informações para um futuro post! Obrigado por visitar nosso blog! =)

  • Daniel Ghiraldi
    07 novembro, 2018

    Show de bola de postagens. Sempre fico olhando os casarões antigos da City.
    Tenho uma sugestão de um q sempre passo na frente. Na Av. João Gualberto, de frente ao Wallmart. Ele ficou abandonado um tempo agora eh uma loja de roupas usadas senão me engano.
    Abraços

    • Rafael
      Rafael
      08 novembro, 2018

      Legal Daniel! Obrigado pela sugestão e por visitar o blog! Estou juntando as informações para um futuro post! =)

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