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Fim de semana em Campinas

Turistando com moradores numa cidade não turística - Parte 2

Seguindo em frente com as andanças por Campinas, depois de ir à EsPCEx e ao Parque Taquaral (Parque Portugal) tomamos o caminho do restaurante eleito pro almoço e nele ainda fizemos mais um pequeno pit stop, na Torre do Castelo Vitor Negrete. Trata-se de uma caixa d´água – castelo d´água – em estilo art déco, de 27 metros de altura, construída em 1940 e na época com capacidade para 250 mil litros. Hoje ela funciona como museu (com objetos ligados ao abastecimento de água) e – o mais interessante para nós – como mirante: do alto é possível ver Campinas em 360º e com informações – são seis amuradas distribuídas conforme os pontos cardeais, com explicações sobre cada parte da cidade.

(Fotos: Rafael Belli Soares)

(Fotos: Luiza Nascimento Mendonça)

Depois disso tudo a fome bateu mesmo, e como bons entendedores e apreciadores de gastronomia, nossos cicerones nos levaram ao Vila Paraíso. Gente, que lugar! Confesso que sou um pouco avessa a restaurantes grandes (esse comporta até celebrações de casamentos!), mas a construção erguida em meio a um bosque e a decoração rústica, detalhada e colorida (poderia estar no Nordeste!) deixa cada espaço super aconchegante.

Não pudemos deixar de fotografar esses detalhes do telhado! (foto: Rafael Belli Soares)

(Foto da esquerda: Luiza Nascimento Mendonça / direita: Rafael Belli Soares)

(Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

O cardápio é bem diversificado: abrange de frutos do mar a massas e carnes, começando com uma farta mesa de antepastos e terminando com uma rica carta de sobremesas, que pulamos pra guardar espaço pra próxima parada! Fomos de peixes – pirarucu da Amazônia acompanhado de arroz com castanha de baru e farofa de pequi e abadejo mediterrâneo com risoto de limão siciliano – e, pra acompanhar, chope e caipiroska de lima da pérsia, limão siciliano e manjericão.

(Foto esquerda: Rafael Belli Soares / esquerda: Luiza Nascimento Mendonça)

Meu abraço especial pro garçom, que repôs a caipira do Bruno, que caiu inteira na mesa durante a sessão de fotografias que era feita pouco tempo depois de ter sido servida!!(Foto esquerda: Luiza Nascimento Mendonça / direita: Rafael Belli Soares)

Mais duas coisas sobre o Vila Paraíso: uma, descobrimos que tem uma Padoca do Vila dentro do restaurante – é possível comprar pães caseiros frescos direto da padaria deles no local; e duas, a localidade onde ele fica é outro ponto alto da cidade. O Joaquim Egídio é o distrito mais rural de Campinas, que fica a 15km do Centro e começou a se desenvolver por volta de 1890, em função da economia cafeeira. Em razão disso nele é possível ver charmosas construções históricas feitas em ruas de paralelepípedo, muitas das quais tombadas – o que me fez parecer que estava em Minas Gerais, ou quem sabe no Nordeste de novo! Vale estender o passeio por lá. Joaquim Egídio e a vizinha Sousas também são redutos boêmios de Campinas, o que pudemos perceber no caminho de ida e volta ao restaurante: bares cheios e restaurantes diversos pra ninguém passar fome nem sede; de noite e de dia. Ficou a vontade de explorar mais a região.

Bom; depois da comilança toda do almoço (alguns de nós não conseguimos dar conta do prato!), seguindo com a ideia de 100% de aproveitamento do dia, nós fomos a um lugar especial para a sobremesa. Fomos levados à Patisserie/Boulangerie Maria Antonieta e para o meu paladar foi na mosca: a forma como os franceses fazem doces sem aquele gosto predominante de açúcar no meu ver é imbatível! Sem falar do capricho na apresentação, né? Fomos de doces sortidos e macarons – difícil encontrar quem os faça BEM, mas estavam bem a contento – e, como caiu um pé d´água (deu pena dos convidados que chegavam pra um casamento no andar de cima!…), o que mais podíamos fazer senão continuar a comer?! O Jorge pediu um croissant de manteiga pra todos dividirmos que, segundo ele, é o melhor da vida. Tudo bem que nunca comi croissant na França (falha de curriculum), mas estava mesmo muito, muito, muito bom – a história de que o estômago tem um compartimento só para doces foi empiricamente comprovada!

(Fotos: Luiza Nascimento Mendonça)

O resultado da farra gastronômica que inocentemente tentamos amenizar com um chá de hortelã servido ao natural (folhas cheirosíssimas em infusão) na confeitaria foi o único possível: sono, embalado pela chuva que não parava de cair. Sono pra ainda conseguir sair para uns drinks pela noite!

Devidamente recuperados, por volta das 22h chamamos dois Ubers (responsabilidade!!) que nos deixaram em outro bairro super boêmio de Campinas, o Cambuí. Numa área que tem as ruas Dr. Emilio Ribas e Padre Almeida como principais é possível achar um concentrado de bares para todas as preferências e idades: bar de gim; comida sofisticada; karaokê; pub inglês…  Ficamos pelo Boteco São Bento, que existe também em São Paulo e oferece uma boa carta de drinks e de petiscos – até conseguimos comer mais uns pasteizinhos e uns dadinhos de tapioca com geleia de pimenta!! Ficamos do lado de fora (da parte interna) mesmo, já que fazia calor e não chovia mais; escolhemos uma mesinha para seis entre árvores e ao lado da área dos fumantes, bem acolhedora.

(Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

O sábado foi intenso e no dia seguinte ia ter churrasco, então a noitada não foi muito longe. Assim acabou nosso dia em Campinas, que definitivamente de tédio não foi afetado! A cidade me pareceu mesmo nada turística, o que é bom, já que as armadilhas (lugares pega-turista) devem ser raras e que pudemos captar melhor os hábitos locais. Campinas se mostrou para mim como uma cidade grande com ares provincianos, mas desenvolvida, repleta de verde (campinas – há!), espalhada, bem localizada (bem servida de aeroporto e acessos viários) e com muito ainda a se explorar.

 

 

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1 Comentário

  • […] Ainda fizemos muita coisa durante o dia, mas como já me prolonguei demais neste post, fica para o próximo, que vocês acessam aqui! […]

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