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O mar no bar, em pizza pode acabar

Como o Pizza e o A Ostra Bêbada revolucionaram a experiência de bares em Curitiba

Eu tinha bebido um pouco, mas me lembro bem da primeira noite que acabou em pizza na Trajano Reis. Era 2012, aniversário de não sei quem, não sei em qual dos (muitos) bares dessa rua agitada do Centro Histórico de Curitiba, e minha amiga (oi Manu!) tinha ido pra isso: quando ela soube da festa já me disse que ia porque ali na frente tinha a “melhor pizza do mundo” e que eu tinha que provar (ficam minhas desculpas pro aniversariante incógnito que virou  coadjuvante!).

Era madrugada quando saímos do bar-cujo-nome-também-não-lembro (ok, não lembro de muita coisa!) e eu achei um barato aqueles poucos metros quadrados chamarem a atenção de tanta gente, que comia e bebia de pé, atopetada em volta do balcão e principalmente na calçada. Não é que nunca tivesse visto isso antes – um lugar estilo grab and go -; mas desse jeito, ” grab and stay”, and stay no agito, não tinha visto, não! Deu pra ver que o o lugar em si já era um point; mas a pizza, al taglio, simples, massa fina, com ingredientes de qualidade, ahhhhh… Essa ganhou meu paladar! Daí pra frente foi difícil ir pra Trajano sem passar por lá; na verdade passamos a ir pra isso – nós e cada vez mais gente, que da calçada foi invadindo a rua.

Pizza al taglio = ao corte. Às vezes um taglio pode ficar maior que o outro! Pra beber: chope artesanal, água, vinho ou suco de uva integral. (Fotos retiradas do Instagram @pizzacwb)

A Trajano Reis e arredores (Rua São Francisco) se tornaram na época um reduto boêmio: eram bares (e bares e bares), lugares descontraídos pra comer, baladas; pela noite a região ficava tomada de gente e o agito ficava na rua mesmo (o agito por lá ainda rola, mas não naquelas proporções). Foi-se criando um novo estilo de vida noturna na cidade e o Centro Histórico, apesar dos problemas de sempre, foi ganhando vida – em muito por contribuição do Pizza., um dos pioneiros nesse modelo de negócio.

Com o sucesso, veio o Pizza. da Vicente Machado (2013) e o da São Francisco (2015), no mesmo estilo, pequenos, poucas mesinhas e alguns bancos. A Vicente, situada no Bairro Batel – o mais nobre da cidade – em 2013 abrigava alguns bares, mas nada de taaanta gente assim na rua. Não demorou e aquela calçada foi sendo também dominada; não só de gente, mas de outros bares e comércios de comes e bebes da mesma linha do Pizza (portinhas – gente na rua). Foi aí que deu pra ver a revolução que a piazada do Pizza. ia causando no ambiente urbano.

Casa cheia: Pizza Vicente na Copa do Mundo de 2018. O conceito de tomar as calçadas a essa altura já tinha se espalhado por Curitiba. (Foto retirada do Instagra @pizzacwb)

Fusco e cia. sempre envolvidos com o urbanismo: foto do evento Vaga viva, na Vicente Machado (sai carro, entra gente). (Foto retirada do Instagram @pizzacwb)

A piazada (piazada = gurizada = meninos ) a quem me refiro são o arquiteto (há!) Rafael Fusco, o cozinheiro (há!) Lucas Cintra e o administrador (há) Diego Gasparin , amigos de infância. Depois disso eles ainda abriram uma unidade do Pizza. no emblemático Edifício Anita (2016) e, em seguida (2017), ali ao lado, o A Ostra Bêbada.

Esquerda: Rafael Fusco. Direita: Lucas Cintra (Foto: Amanda Caroline)

O Ostra é mais uma quebra de paradigma da gastronomia (“barstronomia?!” ) curitibana. Segundo o Fusco e o Cintra, a ideia de criar esse “boteco de frutos do mar” (definição do Rafa, que acho boa) surgiu de uma viagem deles em 2014 a Madrid, por onde comeram muito bem, obrigado, naqueles bares de tapa espanhóis maravilhosos (¡de puta madre!). A ideia importada foi a da comida sempre fresca e exposta; só restou a parte – fácil – de adaptar o cardápio para os nossos produtos locais, que são muy, muy ricos. Quer dizer; fácil pela variedade de frutos do mar que temos à disposição a praticamente 1 hora de carro de Curitiba, mas é preciso de boa vontade pra ir mais de uma vez por semana pro litoral pra buscá-los.

Vocês sabiam que as ostras de Guaratuba estão entre as melhores do mundo? (Foto: Arlei Lima)

O fato é que o esforço compensa. Compensa agradar o paladar dos mais jovens e dos mais velhos (os mais renomados chefs da cidade estão encantados com o Ostra, que em 2018 já levou o segundo lugar do prêmio Topview de melhor restaurante de frutos do mar e de novidade do ano); compensa introduzir uma cultura de boa mesa – e boa bebida – em um ambiente de bar despojado; fazer viver (de novo) uma área central que já não vivia pela noite. Pelo menos pra nós, clientes, é um baita ganho!

Sardinhas na brasa aos sábados, quer coisa melhor? (Foto: Arlei Lima)

Em época de caranguejos (de dezembro a março) o Ostra Bêbada também serve eles fresquinhos! (Foto: Arlei Lima)

Informações:

O @pizzacwb hoje conta com duas unidades: Vicente (Av. Vicente Machado, 787- Batel) e Edifício Anita (Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 15 – Centro); além disso, eles fazem delivery e sempre estão marcando presença em eventos locais; particulares inclusive. No site deles tem todos esses detalhes e um pouco mais sobre como tudo começou.

O @aostrabebada fica aberto de segunda a sexta, das 11:30h à 00h, e aos sábados das 11:30h às 2h. Dica: se quiser mesa é bom reservar (55 41 33220940) e chegar cedo, porque lota!

Movimento sempre muito intenso mas vale a pena! (Foto: autor desconhecido)

No domingo às vezes o Ostra abre pra programações especiais, caso deste agora, dia 24 de fevereiro, que vai ter festa de carnaval das 14h à 22h, com cardápio especial pra comer de pé e com o Bloco Maria Vai com as Ostras, batizado pelo meu pai, Dante Mendonça. Nós do Vivacidades estamos apoiando o evento, que vai ter concurso de fantasia e, pra quem se interessar, abadá com direito a open bar de cerveja por 2 horas (pra não acabar com a segundona!!). Mais infos pelo Whatsapp (55 41) 992709407).

 

 

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