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A Barbara Boeing e a Alter Disco

o som eclético e refinado que vem se destacando na cenário local e internacional da música eletrônica

Gop Tun, em São Paulo

A Barbara Benghi Boeing é outra amiga nossa de infância que não podíamos deixar de citar por aqui. O talento dela para a música sempre foi notável: o que seriam dos nossos churrascos de adolescência sem ela e o violão, já desde aquela época com músicas mixadas?! Mas ficou evidente quando começamos a vê-la tocar nas festas da Alter Disco e vimos que a parada era séria mesmo quando nos demos conta de que nos dias de hoje é raro tê-la em terras curitibanas nos fins de semana – cada sábado tocando num lugar diferente; quando não do Brasil, do mundo mesmo.

 

Ba, sabemos que você é engenheira civil e que trabalha diariamente com isso. Mas sobre a sua relação com a música, quando ela começou?

A minha relação com música é antiga, eu sou viciada em ouvir sons de todos os gêneros e o tempo todo, em casa, no trabalho (eu faço projetos ouvindo música no fone), no carro e em qualquer lugar que tenha um caixinha de som me esperando.

Com 14 anos de idade eu comprei um violão e revistinhas que ensinavam a tocar e comecei a aprender sozinha. Um ano depois eu comprei uma bateria, fiz algumas aulas e infelizmente isso não durou muito, pois eu morava em um edifício onde obviamente nem a minha família, nem os meus vizinhos me aguentaram por muito tempo – acabei tendo que vender o instrumento. Eu não toco muito bem nenhum deles, mas tenho uma base e passei algum tempo da minha vida me divertindo muito com isso.

E a atuação como DJ, vem de quando?

Dois anos depois que eu entrei na faculdade de Engenharia Civil, eu conheci o Felipe Muller a.k.a. Phil Mill, que atualmente é meu parceiro dentro da minha festa. Ele me ensinou a gostar de música eletrônica e como ele já tocava há anos, eu ficava intrigada com tudo aquilo e resolvi ir atrás e aprender. Iniciei fazendo o curso da AIMEC e treinando incessantemente com o Felipe nos intervalos da faculdade. Isso já faz 13 anos!

Um tempinho depois, eu estava tocando em alguns lugares de Curitiba, mas na época ninguém gostava muito da música que eu amava e gostava de tocar, portanto eu acabava tocando em lugares que não tinham muito a ver com o meu som e por consequência me adequava às músicas deles.

Isso acabou me desencorajando a seguir em frente e aos tempos fui parando de praticar. Há um pouco mais de 6 anos, sempre em contato com a música, eu acabei montando uma banda com os meus melhores amigos e aos poucos fomos migrando para a música eletrônica. Com isso, montamos a Alter Disco e eu voltei com força total para a cena.

Existe algo da engenharia que te ajude no trabalho como DJ?

Acredito que é uma combinação estranha; não vejo nenhuma ligação entre as duas. Creio que o fato de eu produzir as minhas próprias festas tem uma relação maior. Com isso eu aprendi a negociar direitinho, aprendi a trabalhar em equipe, meu network aumentou e hoje em dia eu não sou mais tão tímida como sempre fui a vida inteira.

Prefiro pensar que primeiramente eu sou engenheira civil e que o meu novo trabalho como DJ faz parte do meu Alter Ego. Durante a semana eu sou CDF, mal saio de casa, acordo às 6:30 e uso calça social. Já no final de semana, normalmente eu viajo, toco e uso roupas furadas e estranhas. Quem me conhece somente como engenheira normalmente não consegue muito imaginar que eu toco nos finais de semana e creio que o contrário também é válido. Acho importante esta separação pra que eu consiga balancear esta vida dupla e viver cada uma da melhor forma.

Entendemos pouco de música eletrônica. Você pode nos definir o seu perfil como DJ que toca com vinil? Quais são as suas inspirações?

Tocar com discos é algo novo pra mim; eu aprendi a tocar com as CDJs Pioneer 200, as que aceitavam somente CDs, e posteriormente evoluí para as CDJs mais novas que atualmente aceitam pen drives. A técnica para mixar em CDJs é a mesma do que com toca discos, porém, por alguns detalhes como não poder loopar a música ou não poder gravar a primeira batida (CUE), mixar com toca discos fica um pouco mais difícil.

Como eu toquei por muitos anos antes de entrar neste formato analógico, assim que eu iniciei o meu treino com discos eu já estava sabendo tocar, mesmo que ainda errando um pouco e mixando de uma forma mais amadora.

Para definir o meu perfil como DJ, sem citar o formato em que eu toco, eu posso citar pra vocês estilos que misturo para criar os meus sets. A minha pesquisa é extensa e é difícil rotular, pois eu não me restrinjo a estilos, mas para que vocês possam entender melhor, eu posso dar alguns exemplos. Tem muita música africana (Kwaito, Zouk, Soca), brasileira (Rap, Soul, Disco), alguns funks poloneses e/ou japoneses, Italo Disco, Synth Pop e mais um monte de gêneros e sub gêneros de todo canto do mundo.

Adendo: a gente pouco entende de música eletrônica e nem somos os mais entusiastas desse estilo, mas, de fato, o som da Barbara é muito bom e arrisco dizer que agrada a todos os ouvidos! Segue um videozinho pra vocês conferirem:

https://www.google.com/url?q=https://www.facebook.com/alterdisco/videos/1871551629597935/&source=gmail&ust=1540122114637000&usg=AFQjCNE8ahYC2HnjDnQZyX6yAOya6oE6Uw

Fale um pouco pra gente da Alter Disco.

A Alter Disco é uma festa sem fins lucrativos formada por 4 pessoas, eu e os meus 3 melhores amigos! A festa tem 6 anos e produz eventos bimestralmente para mais ou menos 500 pessoas. O estilo é mais ou menos como o que citei acima, ou seja, vale tudo desde que seja música boa! A mistura da música orgânica (produzida por instrumentos) com a eletrônica é algo muito concreto nos nossos sets e isso faz com que pessoas que não gostam de música eletrônica acabem frequentando as nossas festas.

(não falei?! o/)

Já trouxemos quase 20 artistas, tanto nacionais como internacionais como Move D., Eric Duncan, Gop Tun, Palms Trax, Noema e outros.

Os quatro integrantes da Alter Disco na “Alter Disco apresenta Bosq”

Três atuações inesquecíveis e três lugares onde sonha tocar um dia.

Primeiro as 3 inesquecíveis:

O/NDA= A festa aconteceu em uma das primeiras vezes que eu estava tocando fora da Alter Disco, eu estava nervosa pois iria estrear no RJ e além de tudo era carnaval, ou seja, existia a possibilidade de haver um número grande de pessoas, principalmente pela festa ser de graça.

O evento aconteceu embaixo do MAM, no centro do RJ e estava lindo, tanto no line up como na produção. Porém, quando eu vi, tinha 8.000 pessoas na minha frente e era a minha hora de tocar.  Eu simplesmente tremi a minha apresentação inteira, mas deu tudo certo, eu nunca vou esquecer deste sentimento, esta mistura de nervosismo com empolgação, medo e no final satisfação! Fiquei feliz demais em ver tanta gente colorida, purpurinada e unida dançando a minha música.

Festa O/NDA, no Rio de Janeiro

Selvagem=

Um dia um amigo me perguntou onde eu queria chegar na minha carreira de DJ. Eu respondi que se algum dia eu fosse chamada pra tocar na Selvagem, eu estaria feliz e poderia me aposentar no dia seguinte. Cinco meses depois eu fui chamada pra tocar na festa da dupla e o público deles foi incrível e extremamente receptivo. É muito difícil achar um público que aceita qualquer tipo de música e eles foram extremamente abertos em ouvir o que eu tinha pra mostrar, me senti em casa!

Dekmantel=

Tocar no Dekmantel foi como conquistar um sonho que eu nunca achei que eu era capaz de conquistar; com certeza foi muito acima das minhas expectativas. Na minha opinião, o Dekmantel é o festival com a melhor curadoria do mundo e ser bookada para esta festa foi algo fenomenal e único pra mim.

Tour do Dekmantel, em São Paulo

Agora os 3 lugares em que eu sonho tocar:

Festival Dekmantel na Holanda, por ser o melhor festival do mundo pra mim; Stereo em Montreal, por eu ter frequentado algumas vezes na minha adolescência e ser a cidade onde uma parte da minha família mora; e Output em NY por ter o melhor sound system que eu já ouvi na vida.

Adendo II: pouco tempo depois dessa entrevista a Barbara compartilhou no facebook uma matéria do The Guardian, sobre o Warung Beach Club, de Itajaí/SC, na qual ela foi citada. Sim, o the Guardian! – https://www.theguardian.com/music/2018/oct/16/warung-the-brazilian-paradise-that-had-to-fight-for-the-right-to-party?fbclid=IwAR1GwrjVJ4HyPT3whe_02q_w6k57lqPv_XNY0rmNwV-xFKlJonELfVCbKQg

Vocês ainda têm dúvida de que esses sonhos já, já, se realizam?

 

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