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Passeio Público de Curitiba – Parte 1

Entre a graça e a desgraça

Chegou a vez de falar do Passeio Público.

Neste ano de 2019 o parque mais antigo de Curitiba completa 133 anos desde sua primeira inauguração. Sim, teve mais de uma!

Foi Alfredo d’Escragnolle Taunay, o presidente da época da Província do Paraná, quem deu o pontapé inicial para a construção do Passeio. O local era um banhado/pântano que causava dor de cabeça na população e a construção ajudou na drenagem do terreno e na eliminação de alguns problemas de insetos da região.

Entrada do Passeio Público. (Foto: Rafael Belli Soares)

Taunay adiantou a inauguração para o seu último dia de mandato, dia 2 de maio de 1886. No dia seguinte, seu sucessor Joaquim Faria Sobrinho assumiu o cargo e a bronca. Como a entrega foi em condições bem “marromeno”, Joaquim arcou com o “preju” para finalizar e corrigir os defeitos da construção. Foi daí que em 8 de agosto de 1886 aconteceu a segunda inauguração – mas se alguém perguntar qual delas vale oficialmente, respondam que foi em maio!
João Lazzarini foi o engenheiro fiel, responsável pela obra do início ao fim.

Não pensem que o Passeio sempre teve essa carinha que tem hoje! No início, por exemplo, seu terreno, além do que já abrange atualmente, abrangia a área da sede da Casa do Estudante Universitário e também parte do Círculo Militar (para quem não conhece a cidade, ele se localiza no centro de Curitiba). Os famosos portais – que são praticamente uma réplica idêntica do portal do Cemitério dos Cães d’Asnières, que fica nas proximidades de Paris – surgiram somente em 1910, e foram tombados na década de 70. Na década de 60, mais uma grande reestruturação: o Rio Belém, por já estar completamente poluído, deixou de alimentar o lago que ali existia; hoje todos os lagos são artificiais. Já o belíssimo coreto virou o atual aquário (a obra continua bonita, mas foi um assassinato essa transformação!).

Esquerda: Portal do Passeio Público. (Foto: Rafael Belli Soares); Direita: Portal do Cemitério dos Cães de Asnières, na França (Foto: Retirada do perfil @c_la_mayo, do Instagram.)

Esquerda: Atual aquário. (Foto: Rafael Belli Soares); direita: Antigo coreto. (Foto recortada para inserir no post. Foto original retirada do site https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/confira-fotos-antigas-do-passeio-publico-6dtuxr1aeo3a241mf3pyyelp4/)

Algumas curiosidades marcam a história do Passeio Público, ou melhor, as histórias curiosas do Passeio Público marcam Curitiba.

Foi em dezembro de 1887 que a cidade “viu”, pela primeira vez na história, uma lâmpada incandescente de luz elétrica! O evento de demonstração contou com aproximadamente 3 mil pessoas – lembrando que na época Curitiba tinha aproximadamente 30 mil habitantes.

O primeiro voo de balão feito por uma mulher (a espanhola Maria Aida), também saiu de lá, em 1909! O voo não terminou bem: o Balão Granada acabou ficando preso em uma das torres da Catedral. Em homenagem ao feito, foi construído um balão no atual parquinho das crianças (projeto do arquiteto Frederico Kirchgässner).

Dia do voo de balão de Maria Aida. (Foto retirada do site: http://artedepapelcuritiba.blogspot.com/2010/12/curitiba-11-de-abril-de-1909-somente.html)

Esquerda: Maria Aida pendurada no Balão Granada (Foto do site http://artedepapelcuritiba.blogspot.com/2010/12/curitiba-11-de-abril-de-1909-somente.html); direita: Padre Adelir de Carli ou Padre Baloeiro (Foto do site https://www.tribunapr.com.br/noticias/curitiba-regiao/padre-do-balao-e-homenageado-em-paranagua/). Os mencionados que me perdoem, mas qual o problema de vocês?

Parquinho infantil atualmente. (Foto: Rafael Belli Soares)

Tem mais: o famoso poeta Emiliano Perneta em 1911 foi coroado “Príncipe dos Poetas Paranaenses” na chamada Ilha da Ilusão.

Na década de 40, foi criado dentro do Passeio Público o primeiro zoológico da cidade; porém, em 1981 alguns animais foram transferidos para o Parque Iguaçu e posteriormente, em 1982, para o recém-inaugurado Zoológico Municipal de Curitiba, ficando no parque apenas os animais de pequeno porte.

20 de Agosto de 1911 – Coroação de Emiliano Perneta como príncipe dos poetas paranaenses. (Foto: http://vamospreservaragora.blogspot.com/2012/06/parque-passeio-publico-o-parque-mais.html)

Antiga gaiola dos macacos.

Um dos aviários do Passeio Público. Sou contra este tipo de “confinamento” dos animais mas isto já é outro assunto. (Foto: Rafael Belli Soares)

Vou finalizando a primeira parte por aqui, mas ainda tem muito o que falar do Passeio. Acredito que nesse post inicial já tenha dado para perceber que a cidade parece ter um laço eterno de gratidão e que Curitiba sem Passeio Público é tipo “Avião sem asa, fogueira sem brasa…”.

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