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Principais estádios de Curitiba – Joaquim Américo Guimarães

O estádio do Athletico Paranaense

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que moro em Curitiba, nasci em Brasília e torço para um time do Rio, o Flamengo – pois é; coisas do futebol! E já que o assunto é sobre as casas dos clubes mais queridos da capital paranaense, divido em 3 partes porque tem história pra contar!

Você torcedor atleticano, coxa branca ou paranista (se alcançarmos algum torcedor paranista é porque o blog está indo muito bem, obrigado!), se quiser compartilhar algum relato de “seu estádio” ou quiser me corrigir, comente aqui, será muito legal contar com a sua participação!

Estádio Joaquim Américo Guimarães

Estádio Joaquim Américo Guimarães 2018 (Foto do site: https://revistadigitalsecurity.com.br/arena-da-baixada-garantia-de-identificacao/ – Editada: Rafael Belli Soares)

Hoje a Arena da Baixada (assim conhecida popularmente) é o único estádio de futebol coberto da América Latina e considerado por muitos o mais moderno do Brasil. Mas para chegar nesse patamar ela passou por várias etapas. Como diria o cantor Netinho, “tudo começou há um tempo atrás”, em 1912 para ser mais exato, quando Joaquim Américo Guimarães, presidente do Internacional Foot Ball Club, alugou da família Hauer (olhem eles aqui novamente!) uma chácara no Baixadão do Água Verde por um período de 10 anos. Em 1914 ele realizou a construção de um pequeno estádio, que foi o primeiro estádio de futebol do Paraná. A primeira partida realizada foi Internacional 1 x Flamengo 7 (naquele tempo o meu Flamengo vinha aqui e ganhava, hoje em dia tá complicado, mas isso não vem ao caso).

1915 – Baixada do Água Verde ou Campo da Buenos Aires (Foto retirada do site: https://www.gazetadopovo.com.br/esportes/futebol/atletico-pr/especiais/arena-da-baixada-100-anos/de-chacara-a-arena-da-copa-conheca-as-fases-historicas-da-baixada-ecsqwml7sz0i435x5ekg01c26/)

Em 1924, após a fusão entre o Inter e o América-PR, surgiu o Club Athletico Paranaense, que o continuou utilizando. No final do contrato do aluguel, a família Hauer não tinha mais interesse em alugar o imóvel e passou a exigir a compra ou nenhum acordo seria feito. Como o clube paranaense não tinha condições financeiras para tal feito, a solução veio do presidente Luiz Feliciano Guimarães (comerciante de café) e de Hermano Franco Machado (empresário e diretor do Banco Nacional do Comércio), que compraram o terreno e alugaram novamente para o Athletico-PR.

Mas foi somente em 1933 que o rubro-negro tomou posse do imóvel, após fazer uma permuta do atual terreno da baixada por um terreno de 38 mil metros quadrados que ganhara do governo estadual (Afonso Camargo) em 1929 para a construção do próprio estádio – o clube considerava inviável a construção no local, que ficava no Juvevê, por considerá-lo muito longe. Ou seja, o Athletico ganhou de lambuja um baita terreno para construir um estádio, não quis construir e logo depois trocou este terreno pelo pequeno estádio da baixada já existente; isto é o que eu chamo de apego. Hoje, no terreno do Juvevê existe o Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná.

No ano seguinte à negociação o clube denominou o local com o nome de quem idealizou tudo isto (Joaquim Américo Guimarães), já que antes era chamado de Baixada do Água Verde ou Campo da Buenos Aires. A primeira grande modificação ocorreu em 1937, com a construção da arquibancada de concreto coberta; anos depois, em 1967, construíram mais uma parte da arquibancada, vestiários e alambrados.

1949 – Estádio Joaquim Américo Guimarães (Fotografia retirada do site: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/nostalgia/boleiros–boleros-awvli4fw882x9kloxtm3wfuby/ Foto: Cid Destefani ; Fotógrafo, jornalista – falecido 12/09/2015)

Com o passar do tempo, em 1980 o estádio necessitou de uma nova reforma. Ganhou iluminação, cobertura e cadeiras na área social. Porém, sua capacidade ainda era muito pequena e não atendia para jogos maiores, fazendo com que o Athletico jogasse na casa do grande rival Coritiba, no Couto Pereira. A vida atleticana não estava fácil, e em 1986 o time passou a jogar no Pinheirão (estádio construído pela FPF, que hoje parece pertencer ao Cupins Futebol Clube – enquanto isso, a iluminação e a cobertura da Baixada já haviam sido vendidas e o mato começou a tomar conta do local.

Em 1991, o presidente José Carlos Farinhaki atendeu aos apelos da torcida, que estava cansada de tantos resultados negativos, e os jogos voltaram a se realizar no Joaquim Américo. Para isso, foi necessária a ajuda de vereadores, deputados, torcedores investidores e dos torcedores que criaram a campanha “Baixada Já!”. Após alguns trâmites burocráticos, limpeza e algumas reformas no estádio, deu boa! Em 1994, novamente contra o meu Flamengo, o Athletico-PR voltou a mandar jogos no estádio. O resultado foi de 1×0 para o rubro-negro paranaense. Apesar desse resultado positivo, o tempo foi passando e o clube vinha de uma série de resultados negativos – desastrosos também seria um termo correto a se utilizar.

Casa rubro-negra em 1995 (Foto do site: https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/memoria-futebol-clube/a-velha-baixada/)

Após levar 5 x 1 pro Coritiba (fora o baile) em 1995, o adorado-odiado Mario Celso Petraglia, que era diretor do clube, assumiu a presidência do Athletico. Ele tinha grandes planos para o rubro-negro da capital, que de de fato começou a respirar novos ares, pensar numa nova gestão, num novo futebol e, claro, no novo estádio. No início de 1998 começaram as obras – do antigo estádio nada sobrou -, sob um conceito mais moderno e com o nome (popular) de Arena da Baixada. Na metade do ano de 1999, contra o Cerro Porteño, ocorreu a inauguração com vitória atleticana por 2×1. Daí pra frente o Atlético colheu bons frutos e bons títulos. Mas as mudanças não pararam por aí!

Estádio Joaquim Américo 1999 (Foto retirada do site: http://globoesporte.globo.com/pr/baixada-100-anos/noticia/2014/09/do-baixadao-do-agua-verde-arena-da-copa-os-100-anos-da-baixada.html)

Com a Copa do Mundo 2014 confirmada no Brasil e com Curitiba sendo uma das cidades sedes, praticamente uma nova arena foi construída para entrar no “padrão FIFA”, ficando bem diferente da primeira. Aqui a velha polêmica vem a tona com a construção que envolveu (muito) dinheiro público. O valor inicial era “x”, passou para “3x”, e até hoje corre uma briga judicial de como o clube irá resolver essa questão. O fato é que no início de 2012 começaram as obras e, na véspera da abertura da Copa, aconteceu a nova inauguração – Athletico-PR 1 x 2 Corinthians. Atualmente a capacidade total da Arena é de 42.372 torcedores e se você tem interesse em fazer um tour pelo estádio, clique aqui e saiba mais informações. Para fechar toda essa história, em abril de 2015 o estádio ganhou o teto retrátil e ao que tudo indica, uma nova reforma não está nos planos do clube – caso aconteça, estarei aqui para contar! Para saber como ela está hoje, confira o vídeo no final do post.

Athletico-PR 2 x 0 Fluminense – Copa Sul-Americana 2018 (Foto enviada por Heloísa Lapunka)

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7 Comentários

  • […] como escrevi sobre os estádios de Curitiba (Arena da Baixada, Couto Pereira e Vila Capanema), escreverei aqui sobre os estádios da capital catalã. O Camp […]

  • […] encontrei nenhum vídeo atual com vistas aéreas do estádio como nos posts da Baixada e do Couto, porém encontrei um vídeo de 1947, o que é mais interessante ainda – confiram […]

  • […] branco de Curitiba – mas se você não quer nem saber dessa história, prefere saber sobre a Arena da Baixada ou sobre a Vila Capanema (em breve), clica aí e confira. Lembro apenas que neste espaço não […]

  • Ruben
    27 novembro, 2018

    Muito legal .interresante saber da nossa historia fiquei muito feliz obrigado a o autor

    • Rafael
      Rafael
      27 novembro, 2018

      Obrigado Ruben!

  • Rui
    25 novembro, 2018

    Ótimo texto. Descontraído, gostoso de se ler. Vc fala sobre estádios de Curitiba, não localizei informações sobre o Couto Pereira, casa do glorioso Coritiba.

    • Rafael
      Rafael
      25 novembro, 2018

      Obrigado Rui! Sobre o Couto Pereira e a Vila Capanema provavelmente estarão no ar até o final da noite.

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