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Principais estádios de Curitiba – Couto Pereira

O estádio do Coritiba

Chegou a vez de falar do verde e branco de Curitiba – mas se você não quer nem saber dessa história, prefere saber sobre a Arena da Baixada ou sobre a Vila Capanema (em breve), clica aí e confira. Lembro apenas que neste espaço não existe clubismo: respeito os 3 times e a melhor forma de demonstrar isso é justamente estudando e procurando saber um pouco da história de cada um; aliás, como vocês já devem saber, sou flamenguista e brincadeirinhas podem surgir!

Enfim, assim como os outros estádios da cidade, este também tem uma história interessante a ser contada, então vamos lá!

Estádio Major Antônio Couto Pereira

Coritiba 1 x 0 Internacional – Semifinal da Copa do Brasil 2009 (Foto enviada por Felipe Sebben)

O início dessa história começa em 1909, quando o Corytibano Foot Ball Club foi fundado. Vou explicar o porquê do nome rapidinho antes de continuar a história do Couto.

Na época da fundação, a nossa capital paranaense era chamada de Corytiba – grafia em guarani (= kur yt yba), que quer dizer “grande quantidade de pinheiros” (fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br). Em 1910,

o clube – Corytibano – passou a se chamar Corytiba, que nem a cidade. Em 1912, a cidade mudou a grafia oficial para Curytiba, mas o Coxa fez charminho e não entrou na onda; foi somente em 1915 que o “y” da cidade saiu de cena e deu espaço pro “i”, aí a Cidade ficou Curitiba e o alviverde, acompanhando, ficou como Coritiba.

Voltando ao Coritiba Foot Ball Club: o clube (the club?) jogava no Jóquei Clube Paranaense até que, em 1917, passou a jogar em seu novo estádio (stadium? Tá, parei!). O terreno deste ficava dentro do Parque da Graciosa e era de propriedade da família de Arthur Iwersen (atualmente a área fica no Juvevê, na Rua João Gualberto, entre a Rocha Pombo e Moisés Marcondes). Com o crescimento do Coritiba, o desejo e a necessidade de ter o próprio estádio também crescia. Assim é que, em 1927, os dirigentes conseguiram um dinheiro aqui (com a família Iwersen), outro ali (com a família Scheffer), fizeram mais um empréstimo de 120 mil contos (não é gíria, é contos de réis), e pronto, foi dada a largada para a construção do Belfort Duarte.

(Belfort Duarte? Sim, este foi o primeiro nome que a casa alviverde recebeu, em homenagem ao jogador do América-RJ morto em 1918, que ficou conhecido por sua lealdade e chegou a inspirar um prêmio aos jogadores que passassem 10 anos sem serem expulsos de campo. Mas isso é outra história.)

A arquibancada do Belfort Duarte era de madeira, sem pilares que atrapalhassem o campo de visão (esses pilares eram muito comum na época) e o estádio muito arborizado – foi muito elogiado. A primeira partida, em 1932 – Coritiba 4 x 2 América-RJ – teve um fato inusitado: a bola do jogo caiu dos céus, de um avião!

Inauguração do estádio em 1932 com a bola vindo do avião. (Foto retirada do site https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/nostalgia/osso-duro-b1xf6y2zrvsqsi9vxwnayvkcc/ – Foto: Cid Destefani; fotógrafo, jornalista – falecido 12/09/2015)

10 anos depois, em 1942, o estádio ganhou um novo projeto, do arquiteto Ayrton Lolô Cornelsen. Era um projeto super ambicioso, fora dos padrões da época, que contava com capacidade para 75 mil pessoas, várias lojas – formando um shopping center -, hotel com mais de 100 quartos, restaurantes, museu, musculação, salão nobre… O projeto não foi levado tão a sério assim; muitos diziam que Curitiba não tinha porte para tal obra, e o que deu pra fazer foi a iluminação para jogos noturnos – até então, única no Paraná.

Arquibancada sendo “inaugurada” pelos funcionários. (Foto retirada do site https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/memoria-futebol-clube/obras-no-estadio-do-coritiba-em-1969/?fbclid=IwAR1vcHx92UHG8xmvFXUgmhSUiQWK68d9_nmD-klxaTQkgEYW_IPY2uxjY8c – Foto: Arquivo GRPCOM)

Em 1956, com Aryon Cornelsen na presidência (curiosidade: ele tinha apenas 35 anos), grandes reformas foram colocadas em marcha. Obs.: não confundam os nomes, o arquiteto é Ayrton, mas sim, são da mesma família, são irmãos. Bom, Aryon pegou o projeto do irmão e em 12 de outubro de 1958 foi concluída a primeira parte da obra, que envolvia o primeiro anel de concreto. O projeto passou por algumas paralisações, mudanças de diretorias, “pequenas” alterações (nós arquitetos adoramos quando isso acontece, só que não!) e, infelizmente, até por um acidente que acabou sendo fatal para um funcionário em 1968 (um episódio em que parte da marquise da arquibancada cedeu e o atingiu). Em 1977 finalmente as obras foram concluídas e o estádio rebatizado, para Major Antônio Couto Pereira – foi ele quem achou o terreno no Alto da Glória e quem mexeu os pauzinhos nos bastidores para que fosse possível a conclusão da obra. Claro que todo estádio tem um apelido carinhoso; neste caso, alguns o chamam (chamavam) de Gigante de Concreto.

Estádio Belfort Duarte na década de 60. (Foto retirada do site https://www.gazetadopovo.com.br/esportes/futebol/coritiba/especiais/centenario-coritiba/do-jockey-ao-couto-bxqh1akw1r9ewj66nyxbb7m8e/)

Para levantar verba para todo esse quebra-quebra lançaram o Carnê Cornelsen, que virou febre no estado do Paraná: com a compra do carnê, concorria-se a vários prêmios, o que fez com que até torcedores de outros clubes o comprassem. O projeto inicial não ficou exatamente como fora idealizado, contudo, para a época foi um grande salto. O Couto Pereira entrou de vez para o cenário dos principais estádios do Brasil.

Curiosidade: no dia 5 de julho de 1980, o estádio recebeu seu público recorde de aproximadamente 70 mil pessoas (algumas fontes comentam 80 mil, mas o número oficial que encontrei foi quase 70)! Mas elas estiveram lá não para ver futebol; estiveram para ver o Papa João Paulo II (o Papa é pop mesmo!).

Multidão para ver o Papa João Paulo II, em 1980. Maior público do estádio. (Foto retirada do site https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/arquibancada-virtual/recorde-publico-estadios-curitiba/)

Em 2014 foi feita uma nova reforma, da nova reta da (rua) Mauá, que ficou bem mais moderna em relação a todo o estádio. Durante muito tempo a casa coxa-branca foi o maior estádio do estado e soberano na hora de atrair eventos; hoje, sua capacidade é de 40.502 torcedores, um pouco menos que a do arquirrival Atlético-PR (42.372). O Coxa tem planos para o futuro, de deixar o estádio mais moderno, de reformar completamente as arquibancadas, a cobertura; de dar uma repaginada total, mas nada (literalmente) concreto ainda. Assim que tivermos novidades, postaremos por aqui. Enquanto isso, é possível fazer um tour pelo estádio, para mais informações, clique neste link.

Atletiba do Brasileirão 2009, vitória coxa-branca por 3×2 (Foto enviada pelo Felipe Sebben)

 

Couto Pereira 2017 (Foto: Caderno Esportivo)

Em tempo: o time foi fundado por descendentes de alemães, daí o apelido Coxa-Branca, por causa das coxas brancas dos seus jogadores, em sua maioria de origem germânica.

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2 Comentários

  • […] encontrei nenhum vídeo atual com vistas aéreas do estádio como nos posts da Baixada e do Couto, porém encontrei um vídeo de 1947, o que é mais interessante ainda – confiram no final do […]

  • […] torcedor atleticano, coxa branca ou paranista (se alcançarmos algum torcedor paranista é porque o blog está indo muito bem, […]

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