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Turistando por Curitiba – dobradinha Ópera de Arame + Pargue Tanguá

Parte I

Morador dificilmente faz turismo na própria cidade, o que é um desperdício quando se trata de Curitiba, que tem tantos lugares e construções interessantes. Num fim de semana desses de dezembro, numa das nossas expedições para fotografar as atrações natalinas locais (rendeu uma ótima série de posts no blog), acabamos desfrutando de um agradável dia de domingo, em que nos surpreendemos em perceber como nessa cidade uma coisa pode levar a outra a ponto de que, num curto período de tempo e numa curta distância, se possa visitar tantas atrações diferentes.

Acesso para a Ópera de Arame. (Foto: Rafael Belli Soares)

Nosso passeio não começou exatamente pelo natal, mas pela barriga: tínhamos fome e optamos por almoçar no recém-repaginado Ópera Arte, que fica na emblemática Ópera de Arame. Sobre o restaurante eu já dou mais detalhes; antes quero falar um pouco sobre a Ópera mesmo e sobre o evento fantástico que vem acontecendo nela.

O nome da Ópera de Arame é auto-explicativo: é uma ópera (!); um teatro, feito de arame (!), ou melhor, de tubos de aço e de estruturas metálicas, cobertos com placas transparentes de policarbonato. O formato é redondo e o acesso se dá por uma passarela sobre um lago artificial cercado de pedras e de verde. O efeito é esse que vocês veem na foto:

Ópera por dentro. (Foto: Rafael Belli Soares)

Arquitetura que “interage” com o lado externo. (Fotos: Rafael Belli Soares)

Detalhe da cobertura. (Foto: Rafael Belli Soares)

A obra data de 1992 e o projeto é de Domingos Bongestabs, o mesmo arquiteto da Unilivre – outra atração imperdível da cidade que qualquer hora posto por aqui. Curiosidade (que nosso oráculo Wikipedia revelou): foi montada em apenas 75 dias!

A Ópera tem um auditório com capacidade para 1.572 espectadores, onde acontecem, além de apresentações teatrais e musicais, conferências e eventos variados – lembram do post que fizemos sobre o Congresso de Felicidade? As duas primeiras edições foram lá.

Quem a visita nos dias de hoje ainda se depara com simpáticas esculturas gigantes de animais e insetos (abelha, beija-flor, tartaruga etc.) criadas pelo artista curitibano Luiz Gagliastri:

Obras de Luiz Gagliastri (Fotos: Luiza Nascimento Mendonça)

Não bastasse o cenário em si da Ópera, naquele domingo acontecia e segue acontecendo um projeto incrível subsidiado pelo Bradesco: o Vale da Música. Estreado em 21 de setembro de 2018, ele tem previsão de duração de um ano, no qual deve receber de terças a domingos, das 10h às 18h, shows ao vivo de música instrumental – isso equivale a 200 horas mensais de som (MPB, choro, world music, clássicos do rock, blues, jazz, flamenco)! Tudo isso num palco flutuante na lagoa, de 6X4 metros, projetado pelo arquiteto Felipe Guerra. O palco tem estrutura transparente, na qual de tempos em tempos vai escoando água para permitir a visibilidade dos artistas; ao anoitecer ele recebe iluminação especial que lhe dá ares de escultura de luz. Gente, é incrível! A acústica, além de tudo, é irretocável.

O palco vai se movendo durante a apresentação e chega a ficar grudado no deck (Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

A programação musical do projeto vocês encontram neste link; o valor de entrada é de R$5,00 para moradores de Curitiba e de R$10,00 para não moradores.

Feita minha contextualização, agora posso voltar ao Ópera Arte: o restaurante oferece uma vista privilegiada do palco e com preços módicos. Como chegamos cedo, conseguimos bons lugares – na parte externa, mas na sombra – o que nos possibilitou ver os detalhes do show e do palco, comendo um bom barreado. Pra quem não conhece, barreado é um prato típico do litoral paranaense que é feito de carne bovina magra e de segunda, cozida numa panela de barro por horas até se desmanchar e que, condimentada, é servida com farinha de mandioca, arroz e banana-da-terra fatiada. Eu poderia escrever linhas e linhas sobre esse prato de origem açoriana, mas vou parar por aqui, até porque isso rende mais outro post. Segue a foto do nosso prato, que saiu por R$28,00 a porção individual, que poderia ter sido um pouquinho mais bem servida (aos mais famintos sugiro o buffet de barreado, que custa R$32,90, mas só é servido aos sábados e domingos):

Só não pequem na hora de comer o barreado! Tem que misturar bem o arroz, a carne e a farinha (que estava escondida embaixo de carne) pra então comer! (Foto: Rafael Belli Soares)

O restaurante também oferece alguns pratos triviais e outras opções da culinária local, como a carne de onça, por exemplo – que também rende outro post, que vou ficar devendo!

E pra terminar essa primeira parte, preciso mencionar que a Ópera de Arame faz parte do chamado Parque das Pedreiras, um complexo de mais de 100.000m² de conservação ambiental, que é composto também pelo Espaço Cultural Paulo Leminski. Este, que é mais conhecido como Pedreira Paulo Leminski, tem capacidade para até 20.000 pessoas ao ar livre, e já recebeu os shows mais épicos que aconteceram nesta cidade. Eu tinha só 8 anos quando o Paul McCartney se apresentou na Pedreira em 1993; nova mas já com idade suficiente pra ter invejado meu pai e minha prima mais velha indo ao show! Outro evento memorável (não pra mim, claro, que de novo fiquei de fora!) foi o do tenor José Carreras e Orquestra Sinfônica de Curitiba, em abril de 1993, pelos 300 anos da cidade. Bons tempos aqueles em que não se ficava preso no celular: o efeito de luzes ficou por conta de velas, distribuídas para o público junto com fósforos; as velas foram acesas no encerramento da apresentação e o resultado (num dos poucos registros que pude encontrar) foi esse:

Foto com a qualidade um pouco prejudicada, tirada por autor desconhecido.

Fala sério, invejei de novo!

Encerro o post não com uma música, mas com um poema do genial poeta curitibano que dá nome à Pedreira:

Quem dera eu fosse um músico

que tocasse só os clássicos,

a plateia chorando

e eu contando os compassos.

Se eu soubesse agora,

como eu soube antes,

a dança alegórica

entre as vogais e as consoantes!

(Paulo Leminski – extraído de La Vie en Close, 1991).

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