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Um dia em Antonina-PR – Parte 1

História, arquitetura, gastronomia e natureza a 80km de Curitiba

Era um domingo anormal em Curitiba, de muito sol e calor, acordamos cedo sem querer, vimos a previsão do tempo para o litoral paranaense e pensamos: por que não fazer um programa diferente? Que tal Antonina? Pode ser! Partiu!

Início da Estrada da Graciosa. (Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

A cidade histórica de Antonina se localiza a aproximadamente 80km de Curitiba, no litoral paranaense (que apesar de pequeninho, tem muita coisa bacana para ser explorada). É um daqueles passeios bate-volta piscou, chegou! Vá na fé e na coragem… E pela centenária Estrada da Graciosa!

Outra forma de chegar a Antonina saindo de Curitiba é pela BR-277 – sentido Paranaguá;  depois da serra, vire à esquerda na PR-411 – sentido Morretes. Mas a nossa dica é ir pela antiga (que também dá acesso a Morretes) e voltar pela nova; dessa maneira, aquela energia extra do início do dia fica guardada para a Graciosa, que demanda um pouquinho mais de tempo, mas tem um visual deslumbrante.

Centenária Estrada da Graciosa

Para chegar de Curitiba até a Graciosa pegue a BR-116 (Rodovia Regis Bitencurt) e em 40km você estará no Portal da Estrada, na Serra do Mar. O portal foi construído em 1997 para marcar a importância histórica e cultural do caminho, mas a história começou muito tempo antes. Muito mesmo! Os índios deram o pontapé inicial da trilha, como trilhas de sambaquis, e depois, muito depois, em 1721, é que houve o primeiro relato da Trilha da Graciosa (1721 foi muito depois? Foi!).

Portal de entrada ou de saída – depende do ponto de vista – da Estrada da Graciosa. (Foto: Rafael Belli Soares)

Ela já foi nomeada de Trilha da Graciosa, Caminho da Graciosa e atualmente Estrada da Graciosa. Foi no ano da emancipação da Província do Paraná – 1854 – que começou a ser construída; em 1873 ocorreu sua inauguração. Foi a primeira estrada pavimentada do estado. A obra é dos engenheiros irmãos Rebouças, Antônio e André (eles foram os primeiros afrodescendentes brasileiros a cursar uma universidade e são considerados os maiores engenheiros do Brasil do século XIX).

Estrada da Graciosa em 1923 e atualmente. (Fotos retiradas do grupo do Facebook Antigamente em Curitiba)

A Estrada da Graciosa tem quase 40km de extensão compostos por curvas sinuosas, alguns trechos de paralelepípedos, riachos, encostas, vegetação exuberante… Essa composição é o que confere o charme à paisagem. Mas se a natureza não for o suficiente pra você, existem 7 pontos (os recantos Vista Lacerda, Rio Cascata, Grota Funda, Bela Vista, Curva da Ferradura, Mãe Catira – mais movimentado – e São João da Graciosa) com infraestrutura de lanchonete, banheiros, mirante… Tem inclusive churrasqueiras para uso público, só que em dias de sol elas parecem ser bem concorridas – quando passamos por elas, estavam todas ocupadas! Então se a ideia for utilizá-las, é bom sair bem cedo de casa.

Uma das paradas durante o caminho. (Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

Um dos trechos que ainda possuem paralelepípedos. Durante a primavera até meados do verão, é possível ver as hortênsias bem floridas. (Foto: Rafael Belli Soares)

A estrada ainda faz a divisa de dois importantes parques de preservação: o Parque Estadual da Graciosa, que tem quase 1.200 hectares de extensão, e o Parque Estadual Roberto Ribas Lange, com quase 2.700 hectares. Aliás, grandes áreas de terra foram do engenheiro Hans Klaus Garbers, que era um defensor e preservacionista da Mata Atlântica, mais especificamente, da Serra do Mar. E se ainda não deu pra ter uma ideia da dimensão e da importância da estrada, deixo aqui outros pontos relevantes: ela é reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e de lambuja é a maior área de preservação da Mata Atlântica do Brasil. Se nem assim você entendeu como ela é importante, minha última tentativa é dizer que ela é tipo a “Rodrigo Hilbert” das estradas! Economia, lazer, diversão, beleza, cultura, história… “Estradão da porra!”

Estrada na década de 30 e recentemente. (Fotos retiradas do grupo do Facebook, Antigamente em Curitiba)

Uma última dica antes de finalizar esta primeira parte: procure fazer o passeio em um dia sem chuva; as curvas são bem fechadas e a estrada fica escorregadia. Ah, à noite também não é indicado, devido ao nevoeiro.

Bom, na parte 2 e na parte 3 eu coloco as informações da cidade de Antonina, mas antes disso, para manter a tradição musical de final de post, deixo esta música do Emicida, feita em comemoração aos 30 anos da Fundação SOS Mata Atlântica em 2017.

Obs.: Se você tem óculos 3D, o clipe “funcionará” melhor.

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2 Comentários

  • […] falamos do trajeto pela Estrada da Graciosa até Antonina na parte 1 e já falamos um pouco da história da cidade e do que vimos nela na parte 2. Agora está na hora […]

  • […] Perdeu as informações de como chegamos até Antonina? Confira aqui a parte 1. […]

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