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Um dia em Antonina-PR – Parte 2

História, arquitetura, gastronomia e natureza a 80km de Curitiba

Depois de passar pela Estrada da Graciosa (foram quase duas horas de viagem – fomos a la Rubinho, bem devagar, para poder curtir o visual!), chegamos à cidade histórica de Antonina ainda pela parte da manhã. Como era domingo, a maioria do comércio se encontrava fechado, mas isso não afetou nosso passeio, pois o que precisávamos para sermos felizes estava aberto (pouco dramático!).

Casa na frente da Praça Principal, na Rua Valê Porto (Foto: Rafael Belli Soares)

Um pouco da história de Antonina

Antonina é uma das cidades mais antigas do estado do Paraná; completa este ano (2019) 305 anos de fundação e tem histórias a perder de vista. Já foram encontrados vestígios de ocupação nos sambaquis e de ocupação de índios carijós muito antes de sua “efetiva” ocupação. Para se ter uma ideia, seus primeiros povoadores são de 1648. São eles: Antonio de Leão, Pedro Uzeda e Manoel Duarte. O trio ganhou essas terras – que na época eram chamadas de Guarapirocaba – do sesmeiro Gabriel de Lara – o Capitão Povoador.

Em 1712 outro personagem importante para a história entra em cena: o Manoel do Valle Porto, que se estabeleceu no Morro da Graciosa após também receber uma sesmaria (preciso dizer que eu nunca tinha ouvido falar na vida em “sesmaria” até fazer esta pesquisa!). Ele explorou a região com a “ajuda” de seus escravos e viu que ali o negócio iria prosperar.

(Foto retirada do grupo Antonina de Antigamente, do Facebook)

Parênteses pra uma curiosidade: quem nasce em Antonina é antoninense ou capelista; o primeiro nome é “meio” que óbvio, mas o segundo tem a ver com Valle Porto. Quando no local existiam aproximadamente 50 famílias fiéis católicas, ele conseguiu a licença para a construção da primeira nave da Capela de Nossa Senhora do Pilar. Os moradores ficaram conhecidos como os capelistas e aí, já viu, né? Apelido que é apelido, pega! É por isso que até hoje, quem nasce em Antonina é capelista.

Voltando; foi somente em 1797, no dia 6 de novembro, que Antonina passou a se chamar Antonina, por passar a ser considerada uma vila. O nome foi uma homenagem ao Príncipe da Beira Dom Antônio. 6/11 é a data oficial do seu aniversário (completará 222 anos este ano), porém, dia 12/12/1714 é a data de sua fundação (completará 305 anos). A cidade também se tornou importante para o estado devido ao seu porto, o Complexo Industrial Matarazzo, construído no início da década de XX, e que atualmente – lamentavelmente – se encontra completamente abandonado. Só o que funciona no local é um pequeno porto para cargas de médio e pequeno porte, que fica ao lado do complexo.

(As duas primeiras fotos foram retiradas do grupo Antonina de Antigamente, do Facebook. A última, que retrata o abandono atual, é do site https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/especiais/litoral/complexo-matarazzo-e-area-de-conservacao-c59cok93fdhqntp1ep0i6d74e/)

Mas vamos ao que interessa saber dessa cidade que hoje tem um pouco menos de 20 mil habitantes: o que vimos de bom pra fazer por lá.

Nosso passeio

Chegamos a Antonina e fomos direto para o trapiche conferir o visual: bonito, mas deixou um pouco a desejar em termos de preservação; tiraram o “o” e o “n”do letreiro – “Ant ni a” – e a praça estava tomada de capim. Ainda assim, e apesar do calor senegalesco que fazia, valeu a voltinha pra tirar umas fotos, que abaixo vocês conferem. Do trapiche é possível ver o Pico do Paraná, o Pico do Marumbi, além de toda a baía que o rodeia. Não tem descuido que retire a beleza da paisagem!

Trapiche ao fundo, do lado direito. (Foto: Rafael Belli Soares)

(Fotos: Rafael Belli Soares)

(Fotos: Rafael Belli Soares)

Vista do trapiche e o sumiço das letras. (Foto esquerda: Rafael Belli Soares / Foto direita: Luiza Nascimento Mendonça)

Depois fomos para a Igreja Nossa Senhora do Pilar, principal ponto da cidade, não só turisticamente falando, mas porque, como mencionei, sua história é muito ligada à história da cidade. A arquitetura é luso-brasileira; simples, mas bem simpática. Já passou por alguns maus bocados e já chegou a perder alguns afrescos, mas está bem conservada. A construção fica numa parte alta da cidade e a vista do local também é bem bonita.

Fachada frontal da igreja. (Foto: Rafael Belli Soares)

Interior da igreja é bem simples sem seus afrescos. (Fotos: Rafael Belli Soares)

Vista do pátio da frente da igreja. (Foto: Luiza Nascimento Mendonça)

Em seguida nós demos umas voltas pelas ruas da cidade, de carro mesmo, por causa do calor, para ver as construções. Algumas estão bem conservadas, outras nem tanto e muitas não devem saber o significado da palavra “conservar”. As Ruínas do Armazém Macedo e a Estação Ferroviária da cidade estão passando por obras de restauro – ao menos há tapumes na frente das edificações.

Da esquerda para direita: Theatro Municial / Praça Principal – Ruínas do Armazém Macedo/ Antiga Escola Estadual Ermelino Matarazzo – abandonada (Fotos: Rafael Belli Soares)

Perto do meio-dia o sol já estava nível “derretendo o asfalto”, então fomos para a Ponta da Pita (de carro) relaxar um pouquinho na sombra. É uma praia pequena, um belo cenário, mas pra banho dizem que não é apropriada, embora houvesse pessoas dentro d’água – bom, também dizem que a água de Balneário Camboriú não é apropriada e olha quantas pessoas entram no mar! Nós, na dúvida, deixamos pra nos molhar no rio mesmo (próximo post). Pra desbaratinar a fome (o almoço, com amigos, já estava programado pra mais tarde – próximo post) paramos no Sombreiro Restaurante e Petiscos. O lugar é simples, barato e tinha uma musiquinha ao vivo; a maioria das pessoas estava comendo pratos tipo PF e eles não dispunham de boa parte dos petiscos do cardápio, mas descolamos um salgado e um suco.

(Fotos: Rafael Belli Soares)

Sombreiro Restaurante e Petiscos (Foto: Rafael Belli Soares)

Finalizando essa segunda parte, trago uma música clássica, pelo menos para quem é do Paraná ou que mora no estado há algum tempo (meu caso). O que ela tem a ver com o post? Aquela coisa de enaltecer o que é do estado, buscar valorizar programas da região, ser um pouco mais bairrista… Forcei? Não?… Enfim, na Parte 3 o assunto é comida e um pouquinho mais de natureza!

Perdeu as informações de como chegamos até Antonina? Confira aqui a parte 1.

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1 Comentário

  • […] na parte 2 e na parte 3 eu coloco as informações da cidade de Antonina, mas antes disso, para manter a […]

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